Resenha: A Rainha Vermelha



Devorei esse livro e só consegui dormir quando terminei a leitura, eu queria saber o que ia acontecer logo em seguida e mais e mais... No entanto, vamos combinar, podia ter sido muito melhor. Victoria Aveyard poderia ter sido mais criativa, ter mais originalidade ao criar o mundo e ao tecer a trama. Assim que finalizei a leitura do livro, eu queria correr e escrever uma resenha, mas tive que esperar os ânimos se acalmarem.

Em A Rainha Vermelha,  o mundo está dividido de acordo com a cor do sangue. Prateados e Vermelhos. Todos os Prateados tem o dom de controlar um dos elementos e isso os faz superiores aos Vermelhos que são meros criados e trabalhadores. Eles moram em palafitas, caminham em lamaceiros e em algumas cidades mal se vê o Sol durante o dia por causa da fumaça das indústrias. A guerra por água, eletricidade e tecnologia está estourada e só prejudica ainda mais a vida dos Vermelhos. Enquanto isso, os Prateados vivem em abundância e exalam preconceito e soberba.

Mare é a  personagem principal. Criada em Palafitas, ela só está a espera do próximo outono para que seja enviada para a guerra. É o que acontece quando os jovens atingem uma certa idade e ainda não tem emprego ou não são aprendiz. Seus três irmãos mais velhos foram enviados para a guerra e sua irmãzinha é a única da família que conseguiu uma oportunidade como aprendiz. Enquanto sua hora de ir a guerra não chega, Mare usa seu tempo no meio da multidão e na feira, enfiando em seus bolsos tudo o que pode sem ser pega. Ela é uma ladra ágil e esperta. Seu melhor amigo, Kilorn, está prestes a ser enviado para a guerra também. E é neste momento em que Mare se envolve em uma situação que a faz se tornar criada do Rei. Em um momento crítico, Mare descobre que tem poderes mesmo sendo uma vermelha. O Rei a aprisiona no palácio e a torna futura princesa, fazendo dela e do príncipe mais novo, Maven, noivos. 

É uma história clichê, devo começar dizendo. Os acontecimentos são previsíveis e, como se não bastasse, você repara muitas semelhanças com outras obras. Muitas mesmo. Parece que a autora leu, gostou de vários livros que estão na moda do momento e resolveu misturar tudo, resultando então em A Rainha Vermelha. Funcionou? Até funcionou porque eu devorei o livro em um tempo curto. Mas as semelhanças são bizarras e a autora nem tenta disfarçar. Eu li algumas resenhas por aí e todos diziam a mesma coisa mas ninguém chegou a citar quais foram esses livros que serviram de inspiração para a escritora. Não entendi o mistério. Vamos lá... Todo mundo que lê repara que é uma mistura louca entre Jogos Vorazes + A Seleção + [Insira aqui uma série com poderes, sugestões: Estilhaça-me, Sombra e Ossos, Mentes Sombrias, entre outros] + Divergente + provavelmente mais algum que eu ainda não li.

Os personagens e a história não me convenceram muito e eu acho que foi por causa da sensação de familiaridade, aquela coisa de "parece que já li isso em algum lugar" e realmente já ter lido. Mare não me pareceu muito autêntica por esses motivos apesar de que eu até simpatizei com ela. As personagens de YA normalmente me deixam nervosa e não senti muito isso com a Mare. Em momento algum me impliquei com ela e achei uma personagem até OK. Podia ser mais original mas fazer o que né?

Os outros personagens não estão longe disso. Mare é péssima pra romance, não tem química com nenhum personagem mesmo tendo um leque de opções. Tudo começou ok, com o romance estilo Katniss e Gale, foi fofo mas aí a autora foi perdendo a noção e acabou que Mare não combinava mais com ninguém. Achei que a melhor construção que tivemos foi Maven, o príncipe, filho mais novo do rei, e ainda assim atitudes tomadas por ele foram simplesmente... esquisitas. A construção do personagem simplesmente não fazia jus com as atitudes e não me senti convencida com a explicação. O mesmo vale para Cal, outro príncipe, o futuro Rei. Ele era um personagem que tinha tudo para ser legal porque ele tem uma moral defeituosa mas a autora estragou tudo quando começou a colocá-lo num pedestal. Tudo que ele fazia era perfeito. Sabia lutar e vencer qualquer um, dançava muito bem, era charmoso e não sei o que mais. Sem contar que foi total high school quando os deparamos com mean girls que não gostavam de Mare, tinham inveja dela e insistiam em implicar com a garota. Boring.

No entanto, o final é que o dá o gás para o livro. Ele tem ação e emoção. Você vê personagens lutando pela dignidade, pelo que acredita e também pela própria vida. É uma reviravolta daquelas de tirar o fôlego. Pelo menos, comigo aconteceu o seguinte: quando finalmente eu estava assimilando o plot twist, a autora me presenteou com outro. Não digo que foi um cliffhanger mas, nossa, foi realmente um feito aquele final. A autora foi muito muito feliz com o plot twist e eu tenho certeza que muitos dos fãs que ela adquiriu para a história foi por causa do final. É tão inebriante que você esquece de muito que te irritou durante a leitura, por isso eu disse lá em cima que tive que acalmar os ânimos antes de vir fazer a resenha. Não seria uma resenha justa se eu ainda estivesse afetada pelo final.

Enfim, não me arrependi da leitura e recomendo. Tem aquele ar "familiar" que pode ou não ser agradável. Vi que essa junção de histórias funcionou para muita gente e pode funcionar para mais gente também. Os personagens não são de todo mal e o final compensa quase tudo que deu errado durante o desenvolvimento.

Se você já leu, tendo gostado ou não, deixe um comentário e vamos conversar sobre A Rainha Vermelha! E se você não leu mas vai ler, volta aqui e vem comentar. Esse é um livro que precisamos de um ombro amigo para ajudar a digerir aquele final.

Bianca Karina Teles

2 comentários:

  1. Ameiii esse livro ! Estou louca pela continuação

    Seguindo aqui , quando der de uma passadinha no meu cantinho
    scrawlinthesky.blogspot.com

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  2. Oie, Bia!!
    Quando vi a sua resenha fiquei curiosa para conhecer as suas opiniões. A primeira resenha do livro que fiz saiu cheia de raiva e entendo o seu ponto quanto a ser justa. Li livros mais originais que mereciam aplauaso de pé. Fico chateada porque por ser modinha faz mais barulho do que obras bem mais desenvolvidas. Achei super errado o que autora fez, se fosse só uma inspiração que ela teve, mas foi muita cópia. Enfim, eu refiz a resenha porque estava muito enraivada e decidi fazer algo justo. Eu realmente detestei a estória e a Mare não funcionou para mim como você já sabe. Nem aquele final, sabe?! Eu só me impressionei com Mavis, por causa de todo seu ódio, mas já tinha certeza que o irmão dela estava vivo e nem me surpreendi muito com aquela 'luta'. Eu não sei se vou ler os outros livros, tenho certeza que iria torcer pelo lado errado só porque não gosto da Mare.
    Eu só gostei de Kilorn mesmo ahaha!!
    Beijin...
    Ah, te indiquei numa tag, vai lá conferir!!
    http://piecesofalanagabriela.blogspot.com.br

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